Calca Mar

calca-mar

(Pelagodroma marina)

 

Entre os painhos presentes em águas macaronésicas, o calca-mar é o único que pela sua coloração (com cara e partes ventrais brancas) e pela sua silhueta de voo (asas mais largas e arredondadas, patas que sobressaem notavelmente para além da cauda) peculiar, se distingue do resto dos seus congéneres e que permite uma fácil identificação.

 Classificação Comprimento Envergadura 
Orden Procellariiformes; família Hydrobatidae  19-21 cm  41-43 cm
 

Identificaçao

Esta pequena ave marinha, de aspeto delicado, caracteriza-se por ser um dos únicos dos seus congéneres com partes inferiores claras. O olho aparece rodeado por uma mancha escura que o destaca no resto da cara branca. O seu bico também é mais algo em relação aos outros painhos. Visto por cima apresenta a zona central do corpo e as penas das coberturas das asas com tonalidades castanho-acinzentadas, enquanto as asas de voo são pretas. O uropígio cinzento contrasta com as asas e a cauda, também negras. O lado ventral é branco, excepto a cauda e as penas de voo das asas que são escuras. A sua silhueta em voo também é característica, pois as patas excedem notavelmente o tamanho da cauda e as pontas das asas aparecem amplamente redondas. O seu voo é errático e mais potente que os outros painhos, muitas vezes dá a impressão que salta sobre a superfície da água.

Canto

É uma espécie silenciosa em mar aberto. Nas colónias de reprodução emite sons similares a cuuu-aii, cuuu-caii.

Onde vive

no mundo

Aparece amplamente distribuído nos oceanos Atlántico, Índico e Pacífico. Reconhecem-se seis subespécies. Na Macaronésia ocorre no arquipélago das Canárias e no Arquipélago da Madeira.

Em portugal

Ocorre somente no arquipélago da Madeira e reproduz-se nas ilhas Selvagens, onde se encontra a subespécie hypoleuca.

Migração

A informação dos seus hábitos migratórios é escassa. Depois do período reprodutor, as aves atlânticas se dispersam pela zona central do oceano. Há registos de aves invernantes nas costas atlânticas do norte da américa e de aves divagantes em Inglaterra. Existem também registos antigos em águas do golfo de Viscaia.

População

A população europeia estima-se em cerca de 60.000 casais reprodutores, pertencentes na sua maioria às colónias das ilhas Selvagens, no arquipélago da Madeira. Nas Canárias, reproduz-se nos ilhéus Alegranza e Montaña Clara, embora se suspeite da sua nidificação na ilha La Graciosa e de Fuerteventura (ilhéu de Lobos). No total a população canarina deve rondar os 50 a 60 casais.

COMO VIVE

Habitat

Fora do período reprodutor vive em alto mar.

Alimentação

Consome pequenos crustáceos planctónicos, pequenos peixes e em menor quantidade cefalópodes. Já se observou exemplares a seguir barcos e é possível que aproveitem descargas pesqueiras.

Reprodução

Nidifica em galerías e orifícios escavados em substratos ligeiros, geralmente dunas, em áreas com vegetação bem consolidada e areais. É uma espécie colonial que faz os seus ninhos a menos de um metro um dos outros. Os primeiros exemplares chegam às colónias de reprodução em fevereiro e efetuam as primeiras posturas no final de março ou princípio de abril.

Ameaças e Conservação

A predação em colónias de reprodução é o principal fator de ameaça, tanto por predadores autóctones (gaivota-de-patas-amarelas; coruja-das-torres ou micromamíferos) como por mamíferos introduzidos (gatos e roedores). O calca-mar também é afetado por populações de coelho introduzido em alguns dos ilhéus onde nidifica, que não só causam a destruição dos seus ninhos, como que alteram a vegetação, destabilizando o frágil solo arenoso que nidifica. Outros fatores de ameaça registados são: a presença de visitantes nas áreas de nidificação que podem provocar o colapso dos ninhos e o encadeamento por luzes urbanas aos inexperientes jovens voadores. O calca-mar está incluído no Livro Vermelho das Aves de Espanha como "Vulnerável" e aparece como "Em perigo de extinção" no Catálogo Nacional de Espécies Ameaçadas de Espanha. Em Portugal está classificado como "Vulnerável" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados (2005).

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