Estapagado ou patagarro

Estapagado ou patagarro

(Puffinus puffinus)

 

Em Espanha só está presente como reprodutora em muitos escassos números, nas ilhas de Tenerife e La Palma. Nas águas portuguesas nidifica em todas as ilhas do arquipélago da Madeira, enquanto nos Açores está restrita às ilhas das Flores e do Corvo.

 

 Classificação Comprimento Envergadura 
Orden Procellariiformes; família Procellariidae  31-36 cm  76-88 cm
 

Identificação

Pardela de tamanho médio e de aspeto muito similar à pardela-balear, no entanto, é uniformemente escura, quase preta por cima, o que produz um marcado contraste com as suas partes inferiores, completamente brancas, a excepção de um estreito rebordo na parte posterior das asas, também escuras. As patas não excedem a cauda, o que terminam em ângulo reto com a mesma. Tem uma cabeça pequena, com bico fino e largo, e uma meia lua branca atrás de uma "bochecha" escura. Não existem diferenças consideráveis entre sexos nem idades. Em voo alterna a partes iguais de sequências de planagem e de voo; mas se o vento é forte voa quase exclusivamente planando, subindo por vezes vários metros acima da superfície da água.

Canto

Silenciosa em mar aberto, e nas colónias reprodutoras emite durante a noite um som gutural, a modo de uuh–uuh-uuk, repetindo a sequência, que pode lembrar um carcarejar.

Onde vive

no mundo

Distribui-se fundamentalmente pelo nordeste do oceano Atlântico. As suas principais colónias reprodutoras localizam-se em Inglaterra, na Bretanha Francesa, nas ilhas Faroé e Islândia; outras colónias de menor tamanho localizam-se nos Açores, Madeira e Canárias e existem algumas estabelecidas recentemente no Norte da América e Canadá. Esta espécie não apresenta subespécies.

Em portugal

Nas águas portuguesas nidifica em todas as ilhas do arquipélago da Madeira, enquanto nos Açores está restrita às ilhas das Flores e do Corvo.

Migração

A população reprodutora do atlântico norte desloca-se depois do período de reprodução, a partir de julho/agosto, em direção ao sul sudoeste; uma parte passa o inverno em água das costas da América do Sul, enquanto que outras se estabelece em águas africanas em frente das costas da Namíbia e Sudáfrica.

População

Na europa estima-se que existam entre 280.000 e 340.000 indivíduos. Em Espanha, a espécie reproduz-se apenas nas Canárias. Na ilha de La Palma, onde se localiza a maior colónia reprodutora do arquipélago canarino, estima-se cerca de 200 casais reprodutores (dados de 2004), e na ilha de Tenerife está reduzida a duas dezenas. É provável que também se reproduza na ilha de La Gomera e El Hierro, o que este dado não foi possível confirma-se até à data. Nos Açores, a população está reduzida a cerca de 200 casais reprodutores distribuídos entre a ilha das Flores e do Corvo. Na Madeira a população reprodutora está estimada entre os 1.500 aos 10.000 indivíduos com base em contagem de jangadas.

COMO VIVE

Habitat

Esta ave marinha pelágica vive em mar aberto e só vem a terra firme para se reproduzir.

Alimentação

Alimenta-se de pequenos peixes, crustáceos e pequenos cefalópodes, que captura em mergulho.

Reprodução

Espécie gregária durante a reprodução e regressa às zonas de nidificação em fevereiro. As colónias de reprodução podem ser em zonas interiores das ilhas até aos 1000m de altitude, em ladeiras, barrancos interiores com formações arbustivas. O ninho é uma câmara que é escavada pela pardela ou em pequenas fendas. A postura, uma ao ano, com um único ovo branco, tem lugar no mês de março. O período de incubação é de 45 dias e as crias iniciam os seus primeiros voos em julho/agosto.

Ameaças e Conservação

A principal ameaça a esta reduzida população canarina é a predação de adultos reprodutores por parte de mamíferos introduzidos, como gatos domésticos e roedores. As luzes urbanas provocam a desorientação destes jovens procellariformes nos seus primeiros voos, o que pode ocasionar fatalidades. Por último, é possível que esta espécie seja afetada pela contaminação marinha derivada de hidrocarbonetos e de outros desperdícios flutuantes. O estapagado tem o estatuto de "Em perigro" no Livro Vermelho das Aves de Espanha (2004). Em Portugal é "Vulnerável" para o Arquipélago da Madeira e "Em perigo" para o Arquipélago dos Açores pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005).

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