Cagarro ou cagarra

cagarro ou cagarra

(Calonectris borealis)

 

Com a sua grande envergadura, o cagarro é uma das nossas maiores aves marinhas. De hábitos pelágicos, recentemente englobava um conjunto 2 subespécies do Atlântico e do Mediterrâneo. Atualmente a subespécie foi elevada a espécie.

Embora ambas subespécies se encontrem ameaçadas, a que nidifica no Mediterráneo apresenta uma pior situação.

 Classificação Comprimento Envergadura 
Orden Procellariiformes; familia Procellariidae  45-56 cm  120-125 cm
 

IDENTIFICAÇÃO

É uma ave marinha grande e a maior das pardelas na Europa. Tem uma cabeça robusta e arredondada. Exibe uma coloração parda acizentada nas zonas superiores que chega até à zona inferior do bico; na zona inferior é branca em quase toda a sua totalidadem salvo o rebordo externo das asas, que é escuro. Tem um bico amarelado com o extremo escuro. Não existem diferenças evidentes entre sexos e idades. Quando voa intercala sequências de voo planado com um batimento de 5 a 6 vezes de asas.

CANTO

Embora silenciosa em mar aberto, o cagarro é extremente ruidoso nas colónias de reprodução, quando emite sons nasais, lamentosos, sombrios e esmagadores. A vocalização é um modo de aaua, ahuaa, aughuaac.

ONDE VIVE

no MUNDO

Esta ave marinha pelágica só se encontra no oceano Atlântico.

Em portugal

Esta ave encontra-se distribuída por todo o território português. Cerca de 75% da população mundial nidifica em todas as ilhas do arquipélago dos Açores. Na Madeira nidifica em todas as ilhas, onde a sua maior colónia é nas ilhas Selvagens. No continente português existe uma pequena colónia no arquipélago das Berlengas.

Migração

Esta ave marinha, altamente pelágica e migradora, só vem a terra para se reproduzir. Depois da época de reprodução, os indivíduos migram desde as ilhas macaronésica para as o Atlântico oeste, passando pelo litoral sul americano para logo voltarem para o hemisfério norte.

POPULAÇÃO

Na Europa estima-se qe existam entre 90.000 a 150.000 casais. Em território espanhol calcula-se que haja umas 30.000 no arquipélago canário, onde a principal colónia de nidificação (8.000 - 10.000 casais) se localizem na ilha de Alegranza. Segundo o Atlas das Aves Marinhas de Portugal, a cagarra é a espécie de ave marinha mais abundante. Estima-se uma população de 980 a 1.070 casais (2011) no arquipélago das Berlengas, de 3.735 a 10.524 casais (2012) na ilha do Corvo (Açores) e 29.540 casais (2005) nas ilha das Selvagem Grande (Madeira). No entanto, não existem estimativas precisas para as restantes ilhas dos Açores, da Madeira, das Desertas e do Porto Santo. Dados antigos de referência estimavam-se cerca de 403.920 (dados não publicados de 1996) no arquipélago dos Açores e uma população entre 2.200 e 3.800 na ilha da Madeira (dados de 2000). A espécie, no geral, tem tido uma tendência regressiva, apesar das medidas de proteção implementadas nas últimas décadas.

COMO VIVE

HaBITAT

Esta espécie pelágica vive em mar aberto, tanto sobre a plataforma continental como fora dela. Durante a época reprodutora nidifica em encostas rochosas, fundamentalmente em ilhas. Neste período concentram-se em grande número ao entardecer, pousadas na água, em frente da colónia de reprodução, uma característica de agregação muito conhecida e designada de "jangada".

ALIMENTAÇÃO

Os principais componente da sua dieta alimentar são pequenos peixes, como sardinhas e chicharro, mas também, crustáceos e cefalópodes. Aqui destaca-se a importância das frotas pesqueiras, porque muitas vezes, podem-se ver a seguir os barcos de pesca. O cagarro é capaz de nadar e mergulhar alguns metros para conseguir o seu alimento.

REPRODUÇÃO

O cagarro nidifica em colónias localizadas em ilhéus e/ou falésias costeiras, onde coloca o seu ovo numa cova, escavada por ele mesma, ou numa fenda/perturberância rochosa. A ocupação dos ninhos começa em março. Realiza uma única postura com um único ovo branco, que é incubado por ambos os sexos por um período de 55 dias. A cria nasce no fim de julho e o cuidado parental é realizado por ambos os sexos, à noite, quando os seus progenitores regressam à colónia. Os jovens cagarros podem ficar no ninho até 90 dias. No final do seu desenvolvimento, e perto da fase do seu primeiro voo, os progenitores abandonam-os e param de os alimentar. Estes devem aprender a pescar por si mesmos e é nesse momento que se registam os maiores índices de mortalidade juvenil. A maturidade sexual é atingida entre os 4 a 6 anos.

AMEAÇAS E CONSERVAÇÃO

Vários são os motivos que estão a causar a regressão do cagarro. O principal fator de mortalidade não natural, tanto em áreas de reprodução e de invernada, parece ser proveniente da intensificação da pesca com palagres e que ocasiona um alto número de mortes acidentais; além de que, este problema afeta em grande medida os adultos reprodutores, no que no caso de uma espécie de longa longevidade e com um baixo número de crias por casal por ano pode indicir em graves declínos num período muito curto de tempo. Outra causa importante, deve-se à introdução de mamíferos introduzidos (gatos assilvestrados e roedores) em ilhas e ilhéus e são capazes de fazer desaparecer, por completo, colónias localizadas em zonas muito inacessíveis. A intensificação do uso litoral e do desenvolvimento do território também pode influênciar o sucesso reprodutor da espécie. Nos diferentes arquipélagos da macaronésia, os inexperientes jovens voadores acabam por ser encadeados pelas luzes urbanas o que pode causar a sua morte. Outros fatores que afetam a sua redução população e que estão sempre presentes é a contaminação por resíduos e hidrocarbonetos. Por último, sendo uma prática cultural "supostamente" erradicada ainda são registados a sua captura de índivíduos para consumo humano. Em Portugal está classificada como "Vulnerável" em Portugal Continental, e "Low Concern" nos Açores e Madeira, pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005).

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