Alma de mestre

Alma de mestre

(Hydrobates pelagicus)

 

A alma-de-mestre é a mais pequena ave do grupos das aves marinhas presente em águas espanholas. É o único que se reproduz na península espanhola e Baleares. Devido a ser uma espécie muito sensível à predação de roedores e gatos, as colónias de reprodução existentes localizam-se em ilheús ou em costas rochosas de falésias inacessíveis livres da presença de roedores.

 Classificação Comprimento Envergadura 
Orden Procellariiformes; familia Hydrobatidae  14-18 cm  36-39 cm
 

Identificação

Trata-se de uma pequena ave marinha, do tamanho de um pardal-comum, que apresenta um aspeto delicado, com cabeça e bico pequeno, asas pontiagudas e coloração geralmente escura. Sobre esta tonalidade destacam-se as partes brancas do uropígio que se alongam para a parte inferior do corpo. As patas não ultrapassam para além da cauda, de perfil reto. O seu voo é rápido e errático, com voos débeis e com deslizamentos curtos, como o morcego. Tem voos rasos junto à água e toca na superfície da água com as suas patas. Não existem diferenças consideráveis entre sexos e idades. Os juvenis com a plumagem nova, vistos de cima, têm uma estreita banda clara em torno das coberturas.

Canto

É uma aves silenciosa em mar aberto, mas emite sons ronronantes à noite, aquando da chegada à colónia de reprodução.

Onde vive

no mundo

A Alma-negra distribui-se por grande parte da Europa, em áreas do norte e ocidente (como a Islândia, Noruega, ilhas Britânicas, França e Espanha), assim como da bacia mediterrânea (Itália, Grécia, Malta, etc.). Há a probabilidade de também se reproduzirem na Argélia e na costa mediterrânea de Marrocos. Além de existirem colónias de reprodução nas ilhas Canárias. Parece haver evidências claras entre as populações do Atlântico e do Mediterrâneo, pelo que, alguns autores assinalam a existência de duas subespécies: pelagicus, que se reproduzem em costas e ilhas do Atlântico; e o melitensis, que se reproduz no mediterrâneo.

Em Espanha

Em espanha reproduz-se as duas subespécies. A pelagicus correspondem às colónias da costa galega e canária, enquanto que a melitensis pertencem às colónias mediterráneas das costas alicantinas, murcianas, almeriense, catalana e balear. A espécie também está presente todo o ano no estreito de Gibraltar, mas não há conhecimento de se reproduzir.

Migração

Trata-se da espécie de painho mais comum das águas atlânticas da península espanhola, embora se deixa ver perto do litoral. Excecionalmente, em caso de temporais em alto mar conseguem-se observar exemplares próximos junto à linha de costa e com maior frequência fora da época de reprodução ou em locais sem colónias reprodutoras entre os meses de junho e novembro. Em águas mediterrâneas, é relativamente comum em mar aberto todos os meses, embora em menor frequência no inverno. Em águas de levante podem-se observar entre os meses de março e agosto, em que algumas zonas (como, por exemplo, em frente da costa de Almeria) aparece com maior frequência durante todo o ano. No geral, sabe-se pouco sobre os padrões muigratórios da espécie. As populações do mediterrâneo parecem ter migrações parciais, embora um pequeno número cruze o estreito de Gibraltar para se encontrar com aves do atlântico perto das costas sul-africanas.

População

A população mundial deste paínho, reproduz-se na sua totalidade na Europa, com uma população estimada de 380.000 a 620.000 parejas. A população espanhola estima-se entre os 5.000 e os 8.000 casais, distribuídas entre 60 a 80 colónias. Destas, umas 50 correspondem ao litoral galego-cantábrico e as Canárias, que somam entre os 1.200 e os 2.500 casais reprodutores. No litoral mediterrâneo estimam-se existirem umas 15-20 colónias, que agrupam cerca de 3.800 a 5.300 casais reprodutores (dados de 2004). Embora não existam suficientes dados históricos para avaliar a sua tendência, é provável que a sua população tenha diminuido em conformidade com a diminuição em colónias da espécie nas ilhas Britânicas ou em outras ilhas do Mediterrâneo.

COMO VIVE

Habitat

Trata-se de uma ave marinha pelágica que apenas ocorre durante a época de reprodução.

Alimentação

Alimenta-se de pequenos crustáceos de superfície, cefalópodes, medusas e matéria orgânica flutuante, como restos de peixe. Em diferentes ocasiões observou-se exemplares seguindo grandes cetáceos e barcos pesqueiros.

Reprodução

Nidifica em pequenas colónias, em ilhéus e falésias inacessíveis, em orifícios de paredes rochosas. A postura inicia-se em junho com um único ovo branco - embora possa apresentar algumas manchas pardas concentradas num dos extremos. A incubação dura cerca de 40 dias. A espécie realiza uma única postura anual, havendo indivíduos que não se reproduzam todos os anos. Os cuidados parentais são partilhados entre o macho e a fémea e os primeiros voos da cria ocorre aos 65 - 70 dias. A primeira reprodução ocorre aos quatro ou cinco anos de idade.

Ameaças e Conservação

O principal problema de conservação que enfrenta esta espécie em Espanha é a predação nas colónias por roedores (conseguiu-se constatar o desaparecimento completo de algumas colónias). Nas Canárias também se provou que os gatos assilvestrados predam a espécie. Em alguns ilhéus colocaram-se caixas ninho especiais para a espécie e onde se obtiveram bons resultados de ocupação. A alma-de-mestre está incluido no Livro Vermelho das Aves de Espanha como "Vulnerável" e aparece como "De Interesse Especial" no Catálogo Nacional de Espécies Ameaçadas de Espanha.

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